Fantasia guardada no armário, maquiagem, spray colorido e glitter fazem parte da diversão do Halloween, mas podem trazer um efeito indesejado: desencadear ou agravar sintomas respiratórios e alérgicos, especialmente em crianças com rinite ou asma.
O problema não está na festa em si, mas na composição e nas condições de armazenamento dos produtos. Poeira, ácaros, mofo, partículas muito finas, fragrâncias e substâncias químicas presentes em maquiagens, tintas, sprays e acessórios podem irritar as vias respiratórias e provocar desde espirros e coriza até tosse, chiado e crises de asma.
“Fantasias, maquiagens, tintas, glitter e acessórios podem funcionar como gatilhos, principalmente em crianças que já apresentam rinite ou asma. É importante observar não apenas o material utilizado, mas também o estado da fantasia e a forma como os produtos são aplicados”, explica a alergista e imunologista Dra. Cristiane Passos, do Hospital Paulista.
A fantasia do ano passado pode ser um problema
Um dos cuidados mais simples começa antes mesmo da criança vestir a fantasia. Roupas que passam meses guardadas podem acumular poeira, ácaros e, dependendo das condições de armazenamento, mofo.
O problema pode ser maior quando a peça é retirada do armário e usada diretamente na festa. Por isso, a recomendação é lavar a fantasia antes do uso, preferencialmente com sabão neutro e sem produtos muito perfumados, e deixá-la arejar por um período antes de vestir a criança. Se houver cheiro forte de mofo ou de plástico, o ideal é não utilizar a peça até que a origem do odor seja eliminada.
Tecidos sintéticos também podem causar desconforto, especialmente quando ficam em contato direto com a pele por longos períodos. Uma alternativa é colocar uma camiseta fina de algodão por baixo da fantasia.
Glitter e sprays também entram na lista de atenção
O visual de Halloween costuma envolver produtos que não fazem parte da rotina da criança, e alguns deles podem irritar as vias respiratórias. Glitter e outros pós soltos, por exemplo, possuem partículas pequenas que podem ser inaladas durante a aplicação. Já sprays coloridos para cabelo liberam aerossóis que podem irritar as vias aéreas, especialmente quando utilizados em ambientes fechados.
Maquiagens e tintas faciais também merecem cuidado. Fragrâncias, conservantes e determinados corantes presentes em alguns produtos podem provocar irritação ou reações alérgicas. “Quanto mais próximo do rosto e das vias respiratórias estiver o produto, maior deve ser o cuidado. Para crianças alérgicas, é preferível escolher produtos próprios para a faixa etária, com formulações mais simples e sem fragrância, além de testar previamente em uma pequena área da pele”, orienta a especialista.
Máscaras podem dificultar a respiração
Outro acessório tradicional das fantasias é a máscara. Além do desconforto provocado pelo calor, alguns modelos têm cheiro intenso de plástico ou borracha e podem dificultar a passagem de ar.
Para crianças com asma ou problemas respiratórios, a recomendação é evitar modelos que cubram completamente nariz e boca e fazer intervalos durante o uso.
O ambiente da festa também importa. Locais fechados, com poeira, fumaça artificial ou pouca ventilação podem concentrar partículas e irritantes, aumentando o desconforto para quem já tem alguma doença respiratória.
Crianças com rinite ou asma precisam de atenção redobrada
Para quem já tem diagnóstico de rinite ou asma, o cuidado deve começar antes da festa. A orientação é não suspender os tratamentos prescritos e evitar estrear fantasia ou maquiagem no próprio dia do evento.
Uma estratégia simples é experimentar a fantasia alguns dias antes, por um período curto, e observar se surgem sintomas.
Coceira no nariz ou nos olhos, espirros repetidos, coriza, congestão nasal, tosse, olhos vermelhos ou irritação da pele podem indicar que algum elemento da caracterização está provocando reação. “Se a criança apresentar chiado, falta de ar ou dificuldade para respirar, é preciso retirar imediatamente a fantasia ou o produto que possa estar desencadeando a reação e procurar atendimento. Crianças com asma devem ter consigo a medicação de resgate prescrita pelo médico”, alerta Dra. Cristiane.
Checklist para um Halloween mais seguro
Alguns cuidados simples podem reduzir a exposição a possíveis gatilhos:
- Lave a fantasia antes de usar, especialmente se ela ficou guardada por meses;
- Deixe a peça arejar e não utilize roupas com cheiro forte de mofo ou produtos químicos;
- Prefira algodão em contato direto com a pele;
- Escolha maquiagens próprias para crianças, de preferência sem fragrância, e teste o produto previamente;
- Evite glitter solto próximo ao rosto;
- Use sprays de cabelo com cautela, preferencialmente em ambiente aberto e longe da criança;
- Evite máscaras fechadas por períodos prolongados, principalmente em crianças com problemas respiratórios;
- Prefira ambientes ventilados para festas;
- Crianças com asma ou rinite devem manter o tratamento prescrito e ter acesso às medicações recomendadas pelo médico.
Mais do que abrir mão da fantasia ou da maquiagem, a ideia é evitar que a caracterização transforme a diversão em uma crise alérgica ou respiratória. No Halloween, o susto deve ficar por conta da fantasia — e não da falta de ar.
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