A Polícia Civil concluiu uma das mais extensas investigações já realizadas sobre a prática da Farra do Boi em Santa Catarina e indiciou 40 homens pelos crimes de maus-tratos a animais e associação criminosa. O trabalho foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) e teve como foco ocorrências registradas em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis.
A corporação informou que o inquérito é resultado de um trabalho de inteligência que durou mais de um ano e buscou superar duas barreiras históricas nesse tipo de crime: o anonimato dos participantes e a dificuldade de acesso aos locais onde ocorrem as práticas.

Diferente das abordagens tradicionais, que costumavam responsabilizar apenas pessoas flagradas no momento da farra, a investigação foi estruturada para identificar toda a cadeia de organização do crime. Ao longo do trabalho, os policiais analisaram imagens e obtiveram autorizações judiciais para quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos.
A partir dessas informações, foi possível vincular 22 episódios ilícitos — alguns que sequer tinham registro formal anterior — e individualizar a participação de cada investigado.
O uso de tecnologia também permitiu identificar organizadores, financiadores, transportadores e até vendedores dos bovinos utilizados nas práticas. Segundo a polícia, a investigação revelou a existência de grupos organizados que arrecadavam dinheiro por meio de “vaquinhas”, usadas para comprar os animais e também para custear advogados e pagar multas administrativas aplicadas em abordagens anteriores.
De acordo com os investigadores, a repetição de nomes nas articulações para aquisição e transporte dos animais reforçou a configuração de associação criminosa. Os suspeitos dividiam tarefas e até rateavam prejuízos, demonstrando uma estrutura organizada para manter a prática ilegal.

Prática é crime
Realizada tradicionalmente durante a época da quaresma, a Farra do Boi consiste em perseguir e agredir um boi até a exaustão e morte. A prática é considerada crime pela legislação brasileira desde 1998.
“Não é cultura, mas tortura, representando um retrocesso ético”, ressaltou a corporação.
Com a conclusão do inquérito, os 40 indiciados passam agora a responder perante o Ministério Público e o Judiciário.
As penas pelos crimes de maus-tratos, somadas às de associação criminosa, podem chegar a quatro anos de prisão.
Além disso, as multas administrativas variam de R$ 10 mil para participantes e R$ 20 mil para organizadores em cada ocorrência.
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