P U B L I C I D A D E

Grupo que monitorava polícia para vender drogas e armas é alvo de operação no RS; 20 alvos são presos

Grupo também é investigado por transporte interestadual de drogas, receptação, movimentação de valores ilícitos e crimes violentos na região do Vale do Sinos.
Fotos: DCS/PCRS

Redação PIXTV (Site)

28 de maio de 2026

atualizado às 11:04

Ao menos 20 pessoas foram presas durante uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (28) no Rio Grande do Sul. Os alvos são integrantes de uma organização criminosa investigada por tráfico, comércio ilegal de armas e munições, transporte interestadual de drogas, receptação, lavagem e movimentação de valores ilícitos, além de crimes violentos praticados na região do Vale do Sinos.

Agentes da 4ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (4ª DIN) do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) saíram às ruas para cumprir 29 mandados de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão. Além das prisões já realizadas, cinco armas foram apreendidas.

Como começou a investigação

As investigações começaram após a Polícia Civil receber informações de que imóveis no bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, estavam sendo usados pelo grupo criminoso para armazenar e distribuir drogas e ocultação armas.

De acordo com a delegada Ana Flávia Leite, equipes da 4ª DIN passaram a monitorar os imóveis e identificaram a movimentação de um veículo usado por um dos principais investigados. Durante as diligências, os policiais observaram o transporte de uma sacola plástica pesada para a área lateral de uma das residências.

Na ocasião, os agentes tentaram abordar o suspeito, que ignorou as ordens policiais, entrou em um imóvel e atirou contra a equipe. Segundo a Polícia Civil, ele fugiu pulando janelas e telhados de casas vizinhas e ainda efetuou outro disparo antes de escapar.

No imóvel utilizado pelo suspeito, os policiais apreenderam carregador de pistola calibre 9 milímetros, munições, balança de precisão, caderno com anotações do tráfico, celulares, documentos e objetos ligados à logística criminosa.

Em outro imóvel investigado, também no bairro Santo Afonso, foram encontrados cerca de 4,3 quilos de maconha acondicionados em tijolos, além de munições, carregador, celulares, balança de precisão e outros materiais relacionados ao armazenamento de drogas.

Como atuava o grupo

Com autorização judicial, a Polícia Civil realizou a extração e análise de dados dos celulares apreendidos. Segundo a investigação, o conteúdo revelou uma ampla rede criminosa com divisão de tarefas, atuação contínua e participação de integrantes que, mesmo presos, continuavam coordenando negociações ilícitas por aplicativos de mensagens e intermediários em liberdade.

Os relatórios de análise criminal apontaram negociações envolvendo maconha, haxixe, cocaína, munições de diversos calibres, carregadores, pistolas, revólveres e tratativas para aquisição de armamentos de maior poder ofensivo. As conversas analisadas mostravam discussões sobre valores, qualidade da droga, formas de pagamento, entregas por terceiros e até troca de veículos por entorpecentes.

A investigação também identificou uma logística interestadual para transporte de drogas. Conforme a Polícia Civil, os investigados mantinham contatos no Paraná, em região próxima à fronteira, para organizar carregamentos destinados ao Rio Grande do Sul. Nas mensagens, os envolvidos tratavam sobre fretes, motoristas, caminhões, rotas, pagamentos, locais de entrega, uso de batedores e monitoramento de barreiras policiais.

Em uma das situações apuradas, o grupo discutiu a ocultação de drogas dentro de um equipamento eletrônico do tipo rádio ou caixa de som para dificultar a fiscalização. Vídeos analisados mostraram os entorpecentes sendo escondidos no interior do aparelho, com a preocupação de manter o equipamento funcionando normalmente para disfarçar o transporte.

As investigações também revelaram monitoramento em tempo real das ações policiais. Segundo a Polícia Civil, os investigados comentavam operações, barreiras em rodovias, movimentação de viaturas, abordagens a caminhões, uso de scanner veicular e possíveis ações da corporação. Em um episódio, integrantes acompanharam a fiscalização de um caminhão usado pelo grupo e demonstraram preocupação com a possibilidade de a droga escondida ser encontrada.

Outro ponto destacado foi a existência de um controle contábil paralelo da atividade criminosa. Conforme a delegada Ana Flávia Leite, mensagens analisadas mostraram registros de entrada e saída de drogas, além da distribuição de grandes quantidades de entorpecentes entre integrantes e compradores.

“Em um dos diálogos, houve referência a movimentações de dezenas de quilos de entorpecentes, demonstrando organização, volume e continuidade da traficância”, afirmou a delegada.

As conversas também indicaram o uso de “mídias”, como fotos e vídeos das drogas, para demonstrar a qualidade do material aos compradores. Os investigados discutiam coloração, cheiro, textura, presença de sementes e necessidade de mostrar os entorpecentes antes da venda, revelando uma dinâmica comercial estruturada e habitual.

Além das drogas, a investigação apontou intensa circulação de material bélico. Os diálogos revelaram compra, venda e troca de munições, carregadores e armas de fogo, inclusive com participação de pessoas presas, que continuavam encomendando munições, indicando calibres e negociando acessórios com integrantes em liberdade.

A análise dos dados telemáticos também identificou elementos relacionados a crimes violentos. Segundo a Polícia Civil, foram encontrados diálogos compatíveis com a coordenação de uma ação criminosa envolvendo restrição de liberdade de vítima, deslocamentos em tempo real, definição de local para manter a vítima sob domínio e possível ligação com um homicídio ocorrido em Novo Hamburgo.

Ainda conforme a delegada Ana Flávia Leite, a investigação demonstrou que o grupo atuava de forma organizada, armada e permanente, com capacidade de movimentar drogas entre estados, negociar armas e munições, utilizar intermediários financeiros, empregar linguagem codificada e manter articulação criminosa mesmo a partir do sistema prisional.

A ofensiva integra a Operação Narke, coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas.

VEJA TAMBÉM:

 AGÊNCIA BRASIL
CNI pede negociação para evitar tarifas dos EUA
Foto: Prefeitura de Capivari de Baixo
Prefeitura de Capivari de Baixo (SC) abre processo administrativo para apurar irregularidades na coleta de lixo
DIVULGAÇÃO
INSS fará mutirão de perícia médica neste fim de semana
Depositphotos
Condenado por tráfico de drogas é capturado no Centro de Imbituba (SC)
AGÊNCIA BRASIL
Inmet prevê chuva de granizo neste fim de semana na Região Sul
P U B L I C I D A D E
P U B L I C I D A D E
P U B L I C I D A D E
Total de acessos: