A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na manhã desta quinta-feira (8), a segunda fase da Operação Coleta Seletiva, que investiga um possível esquema de corrupção envolvendo contratos públicos na área de coleta e reciclagem de resíduos sólidos. A ação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), e teve como principal alvo Júnior Abreu (PP), o atual prefeito de Garopaba, no Litoral Sul do estado.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, dois mandados de afastamento cautelar de cargo público, além de 16 mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico e sequestro de bens e valores estimados em cerca de R$ 1 milhão. As diligências ocorreram simultaneamente nos municípios de Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão.
A Prefeitura de Tubarão informou que não houve cumprimento de mandados nas dependências da administração municipal. "O Município esclarece que não é alvo da investigação conduzida pela Polícia Civil e que nenhuma secretaria, servidor ou gestor da Prefeitura de Tubarão está envolvido nos fatos apurados", disse em nota.


Alvos
Além de Júnior, também foram presos o empresário Joaquim Pacheco, dono da Resamb, e Silas Gonçalves, diretor de Licitações da prefeitura. Dois secretários municipais de Garopaba foram afastados dos cargos. As medidas cautelares atingiram o ex-prefeito do município, Sérgio Cunha (2013-2016/2017-2020), e o atual prefeito de Pescaria Brava, Luiz Henrique Castro de Souza (PP).



Investigação
A Polícia Civil informou que a operação contou com a participação de 50 policiais e é resultado da conclusão do Inquérito Policial nº 637.2025.0001, que apurou um esquema de corrupção sistêmica, com repasses de valores indevidos a agentes políticos e a prática de crimes licitatórios, como fraudes em processos de contratação e na execução de contratos públicos.
De acordo com as investigações, os fatos teriam começado ainda em 2016 e continuado mesmo após a alternância de gestões na prefeitura de Garopaba, se estendendo de 2021 até o período atual.
Em nota, a Polícia Civil informou que, em respeito à presunção de inocência e ao sigilo das investigações, novas informações só serão divulgadas após autorização do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Defesas
A defesa de Júnior informou à PIXTV que ainda não teve acesso à decisão judicial e que, após conhecer os fundamentos da prisão, irá se manifestar nos autos por meio dos instrumentos legais cabíveis.
Luiz Henrique Castro de Souza, que atuou como secretário de Gestão de Garopaba em 2021, publicou um vídeo de esclarecimento nas redes sociais. Segundo o progressista, a operação não tem relação com o município de Pescaria Brava.
Ele explicou que a empresa investigada presta serviços de coleta de lixo em Garopaba e que, em Pescaria Brava, o serviço é realizado pela própria prefeitura. “Essa empresa nunca teve contrato com Pescaria Brava, portanto o município não tem qualquer envolvimento com essa situação”, afirmou.
Luiz Henrique acrescentou ainda que irá acompanhar o andamento do processo junto com advogados para compreender os fatos investigados, que se referem a um período anterior (Assista abaixo).
A PIXTV também aguarda os posicionamentos dos outros envolvidos.
O que diz a prefeitura de Garopaba
No momento, a Administração Municipal aguarda o acesso oficial aos autos para compreender os fatos e prestar os esclarecimentos necessários, respeitando o devido processo legal.
A Prefeitura reforça o compromisso com a transparência, com as instituições e com a continuidade dos serviços públicos, que seguem funcionando normalmente.
Assim que houver novas informações oficiais, um novo posicionamento será divulgado.






