A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (8) a Operação Malus Doctor, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso responsável por fraudes processuais contra instituições financeiras em todo o país. A ação é coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre e cumpre 74 ordens judiciais, incluindo 35 mandados de busca e apreensão e nove suspensões de exercício da advocacia.
As medidas judiciais também determinam o bloqueio de até R$ 50 milhões em bens móveis, imóveis e ativos financeiros. Os mandados foram cumpridos em Porto Alegre e Glorinha, na Região Metropolitana, e Xangri-lá, no Litoral Norte.
Segundo as investigações, mais de 145 mil ações judiciais supostamente fraudulentas foram ajuizadas — 112 mil no Rio Grande do Sul e cerca de 30 mil em São Paulo. Um dos principais investigados é responsável por aproximadamente 47% das ações contra instituições bancárias na Justiça gaúcha, figurando como o quinto maior litigante do Estado.
Esquema usava procurações falsas e contratos sem consentimento
A corporação informou que os suspeitos usavam procurações falsas, muitas vezes sem o consentimento dos clientes, para ajuizar ações judiciais com promessas de revisão de cobranças em empréstimos consignados. Os valores recebidos pelas vítimas eram, na verdade, oriundos de novos empréstimos contratados sem autorização. Parte do dinheiro era repassado aos golpistas sob o pretexto de pagamento de honorários.
Em um dos casos, mais de 30 ações foram movidas em nome de uma única vítima, que afirmou desconhecer qualquer autorização para as demandas judiciais. Também foram identificadas ações ajuizadas em nome de pessoas já falecidas, com procurações assinadas após a data de óbito.
Crimes e apreensões
O grupo também utilizava a estratégia de “fatiamento de demandas”, ajuizando múltiplas ações com o mesmo autor contra diferentes instituições ou em diferentes comarcas. Ao todo, 14 pessoas são investigadas — entre elas, nove advogados — por crimes como estelionato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos, fraude processual, patrocínio infiel, apropriação indébita e associação criminosa.
Até o momento, a Polícia Civil apreendeu três veículos de luxo — um Maserati, um BMW e um Mercedes. Uma pessoa foi presa.
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