Com a chegada do verão e das férias, é natural que as pessoas procurem locais de lazer com piscinas, rios, açudes, cachoeiras e mar. Isso reforça um alerta muito importante: conscientizar a população sobre a prevenção de acidentes por mergulho em águas rasas.

Dados mostram que o mergulho em águas rasas é a quarta causa de lesão medular no Brasil. A maioria das lesões acontece em jovens na faixa etária de 10 a 30 anos e geralmente são localizadas na coluna cervical. “O perfil dos pacientes normalmente é jovem, envolvendo até mesmo adolescentes que, em grupos, mergulham muitas vezes para se afirmar, fazerem algo diferente, corajoso”, destaca o Dr. Martins Back Netto, médico ortopedista integrante do corpo clínico da Ortoimagem – Centro de Ortopedia e Diagnóstico por Imagem, localizado em Tubarão.
Estas ocorrências podem ter como consequências desde os traumas musculares, como contraturas que podem cicatrizar de forma mais precoce, até lesões e fraturas associadas a deslocamentos das vértebras. Podem ainda seguir com alterações neurológicas causando perda de sensibilidade e da força muscular, ou atingir os membros do paciente. “Por isso, o mais importante é a conscientização, informando sempre quanto às possíveis lesões, como o risco de um trauma que curse para um déficit neurológico, tetraplegia ou a paraplegia, que é a perda total dos movimentos abaixo do pescoço, normalmente sem reversão”, lembra o especialista.
Entre as principais consequências que o mergulho em águas rasas pode causar estão a paralisia de pernas e braços, danos para coluna vertebral, lesões como fratura e luxação, problemas neurológicos, trauma de crânio, fratura nas mãos e pés. Em casos mais graves, as lesões resultam em tetraplegia ou paraplegia, mudando drasticamente a vida das vítimas e de suas famílias, como cita o médico.
A prevenção é tão importante que instituições especializadas como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) mobilizam campanhas nacionais alertando sobre a necessidade de prudência e atenção ao entrar em águas desconhecidas. A campanha busca mobilizar banhistas, gestores públicos e profissionais de saúde, informando quanto às medidas simples que podem evitar acidentes.
Entre as principais orientações estão: verificar a profundidade da água antes de mergulhar, evitar saltos em locais desconhecidos e nunca misturar bebida alcoólica com atividades aquáticas. A mensagem é clara: conhecer o local e mergulhar sempre com os pés primeiro. “Aproveitar o verão é importante sim, mas sem se jogar de cabeça. Verifique a profundidade antes e conheça onde vai mergulhar. Vale lembrar que estes danos podem ser fatais, bem como levar à alta morbidade, comprometendo toda uma vida pela frente com sequelas permanentes”, reforça.
Diante de um acidente, o que fazer?
Caso testemunhe uma ocorrência, é importante tomar muito cuidado ao prestar socorro, já que mover a vítima de modo incorreto pode agravar a lesão. É preciso retirar a vítima da água para prevenir o afogamento, e depois aguardar a chegada da equipe médica especializada no atendimento de emergências.
Na assistência especializada, os médicos farão a avaliação e a recomendação do melhor tratamento. Em casos leves, colares podem ser indicados e em situações mais graves a cirurgia pode ser a única solução.
FIQUE ATENTO!
- Não mergulhe em águas turvas ou desconhecidas;
- Não mergulhe após ingerir bebida alcoólica ou outras substâncias que atrapalhem os reflexos;
- Evite empurrar os amigos para dentro da água;
- Cuidado ao tentar ajudar uma pessoa que sofreu este tipo de lesão: caso queira que ela mexa a cabeça poderá piorar a lesão. O mais importante é mobilizar e chamar ajuda médica para adequada avaliação.






