O projeto Aliança por Floripa e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) formalizaram, nesta sexta-feira (4), uma parceria para promover ações de revitalização e melhorias no Campus Trindade. A iniciativa é articulada pela CDL Florianópolis, pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) e pelo Conseg Centro.
Os serviços serão realizados por trabalhadores que participam do processo de acolhimento e reinserção social do Aliança por Floripa. Além de contribuir para a recuperação do campus, a iniciativa amplia as oportunidades de trabalho e renda para pessoas que viviam em situação de rua.
A assinatura ocorreu na Reitoria da UFSC e reuniu representantes das instituições e zeladores do projeto. As primeiras intervenções devem se concentrar na Praça da Cidadania, em frente à Reitoria, e no entorno do Centro de Convivência. O mapeamento técnico inclui ainda o Centro de Comunicação e Expressão (CCE), os acessos e as proximidades do Restaurante Universitário e os principais eixos de circulação do campus.
Entre as melhorias previstas estão limpeza e capina de petit pavé e meio-fios, recuperação de bancos, sinalização de estacionamentos, pintura de faixas de pedestres e vagas exclusivas para pessoas com deficiência, além de paisagismo e plantio em canteiros. As atividades começam na próxima terça-feira, 8 de setembro, com orientação técnica da equipe de manutenção da UFSC.




Para o presidente da CDL Florianópolis, Eduardo Koerich, a chegada do projeto ao Campus Trindade demonstra como a cooperação entre diferentes instituições pode produzir melhorias concretas para a cidade. “Esta parceria mostra o que acontece quando diferentes instituições trabalham de forma integrada. Ao unir a UFSC, as entidades empresariais e o poder público, criamos condições para recuperar espaços importantes e gerar oportunidades de trabalho e autonomia. Cuidar do campus é também cuidar de Florianópolis”, afirma.
O levantamento da Universidade também aponta demandas relacionadas à iluminação das áreas de circulação, com a indicação de 300 luminárias públicas de LED, 80 refletores e 150 lâmpadas de alta potência. Essa frente ainda está em desenvolvimento e não integra a zeladoria que começa na terça-feira. Por envolver instalações elétricas, deverá ser executada por profissionais capacitados. A mobilização prevê buscar doações dos equipamentos, que poderão ser instalados pelas equipes da UFSC.
Universidade e a conexão com a cidade
O Campus Trindade recebe diariamente milhares de estudantes, professores, servidores, trabalhadores e integrantes da comunidade. Neste semestre, a UFSC reúne cerca de 33 mil estudantes e possui, somente no campus de Florianópolis, mais de 411 mil metros quadrados de área construída.
“A Universidade é parte essencial da sociedade e precisa trabalhar em sintonia com ela. É uma via de mão dupla: oferecemos formação, pesquisa e conhecimento e abrimos as portas a parceiros dispostos a contribuir conosco. Esta parceria vai além das melhorias no campus, porque fortalece laços e complementa ações que já desenvolvemos”, afirma o reitor da UFSC, professor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior.
Para o presidente da ACIF, Célio Bernardi, a ação traduz o propósito do projeto. “A UFSC tem uma importância acadêmica e social fundamental para Florianópolis. Cuidar do campus é fortalecer sua relação com a cidade e transformar articulação em resultados para toda a comunidade”, destaca.
O vice-presidente do Conseg Centro, Rodrigo Marques, que também é aluno da UFSC, participou da articulação para levar o projeto ao campus. “Temos a oportunidade de valorizar espaços importantes e permitir que pessoas em situação de rua mostrem seu trabalho. A UFSC vai além dos alunos e professores: é um patrimônio de toda a sociedade, e todos devemos ajudar a cuidar dela.”
Avaliação compartilhada também pelo presidente do Conseg Centro, Marcelo Lima de Bem. “O projeto oferece trabalho remunerado e condições para que pessoas em situação de rua reconstruam suas trajetórias e conquistem autonomia. Levar essa atuação à UFSC amplia ainda mais o alcance da iniciativa.”
Zeladoria aliada à inclusão social
Desde o início do Aliança por Floripa, em outubro de 2025, 37 pessoas foram encaminhadas ao projeto. Sete já alcançaram resultados concretos no processo de reinserção social: cinco concluíram o percurso e seguiram para novas oportunidades, sendo que três retomaram o convívio familiar e duas conquistaram moradia própria e novos empregos. Outras duas permanecem empregadas no projeto e também passaram a residir em moradias próprias.
Atualmente, o Aliança por Floripa mantém 15 zeladores e dois educadores sociais. As equipes atuam em serviços de limpeza, capinação, pintura, despichação e recuperação de espaços em pontos como a Praça XV de Novembro, o Largo da Alfândega, a Avenida Hercílio Luz, o Terminal Cidade de Florianópolis e a Passarela Nego Quirido.
Entre os trabalhadores presentes na assinatura estava o gaúcho Jorge Luis Peralta, de 54 anos. Morando em Florianópolis há cerca de três anos, ele participa do Aliança por Floripa há três meses e já sente no cotidiano a retomada da própria autonomia.
“No Aliança, a gente consegue ver o resultado do próprio trabalho: um banco pintado, um espaço limpo, um gramado cuidado. Tudo isso faz diferença para quem vai usar o lugar e também para nós. Ter um trabalho, receber um salário e voltar a conviver com as pessoas faz com que a gente se sinta novamente parte da sociedade. É como começar uma nova vida”, conta.

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