P U B L I C I D A D E

Muito além da pele: psoríase acende alerta para doenças cardiovasculares e metabólicas

No Dia Mundial da Psoríase, que aconteceu neste 29 de outubro, a conscientização sobre o caráter multissistêmico da doença reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.
Foto: Pixabay

Redação PIXTV (Site)

30 de outubro de 2026

atualizado às 14:47

Manchas avermelhadas, descamação e coceira são algumas das manifestações mais conhecidas da psoríase. Mas o que poucas pessoas sabem é que a doença vai além da pele e pode afetar o organismo como um todo, estando associada a um maior risco de obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças cardiovasculares, especialmente nos casos moderados a graves., Essa relação reforça a importância de um olhar integral para a saúde, que considere não apenas o controle das lesões cutâneas de quem tem a doença, mas também a identificação e o acompanhamento contínuo de possíveis complicações.

Crônica e não contagiosa, a psoríase é uma doença inflamatória relacionada a alterações no funcionamento do sistema imunológico. Na pele, esse processo acelera a renovação das células, levando ao seu acúmulo na superfície e ao surgimento de manchas avermelhadas e descamação. No entanto, seus efeitos podem ir além da pele: a doença está associada a um maior risco de alterações metabólicas, como obesidade, diabetes e mudanças nos níveis de colesterol e triglicerídeos, além de doenças cardiovasculares e outras enfermidades inflamatórias. Entre as condições associadas está também a artrite psoriásica, que afeta cerca de um terço das pessoas com psoríase e provoca inflamação nas articulações. Quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar danos permanentes.

O dermatologista Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), explica que a psoríase pode surgir em qualquer idade, embora seja frequente entre adultos jovens, e afeta cerca de 1,3% da população brasileira. “A psoríase não é apenas uma doença da pele. A inflamação persistente pode repercutir em outros órgãos e sistemas, aumentando o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, especialmente nos pacientes com quadros moderados a graves”, afirma Romiti.

Outro impacto importante da psoríase está relacionado à saúde mental. As lesões visíveis, a descamação e o preconceito podem afetar a autoestima e as relações sociais, favorecendo o isolamento, a ansiedade e a depressão. “É comum ouvirmos relatos de pessoas que sofrem discriminação porque outras acreditam, equivocadamente, que a psoríase é contagiosa. Há também desconfortos cotidianos, como a descamação que fica evidente nas roupas e pode interferir nas atividades diárias do paciente”, explica o especialista.

Por isso, ampliar a conscientização sobre a psoríase é fundamental para combater o estigma e reforçar a importância do cuidado. Esclarecer que a doença não é contagiosa ajuda a reduzir o preconceito, enquanto a informação sobre suas diferentes manifestações e possíveis impactos contribui para que os pacientes busquem acompanhamento adequado. Esse cuidado pode envolver diferentes profissionais de saúde e incluir suporte psicológico quando necessário.

Novas abordagens ampliam as possibilidades de cuidado

O diagnóstico da psoríase é principalmente clínico, realizado por um dermatologista a partir da avaliação das lesões e do histórico do paciente. “Em casos específicos, quando há dúvidas sobre o diagnóstico ou a possibilidade de outras doenças de pele, pode ser necessária uma biópsia para auxiliar na confirmação”, completa Dr. Ricardo.

Embora não tenha cura, a psoríase pode ser controlada com o cuidado adequado. A escolha da abordagem deve ser individualizada, considerando a gravidade da doença e as características de cada paciente. Nos quadros leves, podem ser indicados hidratantes e medicamentos tópicos, como pomadas, e até mesmo exposição solar orientada. Já os casos moderados a graves podem exigir fototerapia ou medicamentos sistêmicos, oral ou injetável, que atuam em diferentes mecanismos envolvidos no processo inflamatório. Dependendo das necessidades de cada paciente, é fundamental envolver especialistas como reumatologistas e endocrinologistas, para avaliar e cuidar de possíveis doenças associadas.

Entre as alternativas terapêuticas disponíveis, há medicamentos orais que atuam na regulação da resposta inflamatória, como os inibidores da enzima PDE4. Essa opção amplia as possibilidades de tratamento e pode ser adequada para determinados pacientes, de acordo com as características da doença e a avaliação médica. A escolha deve considerar os benefícios esperados, o perfil de segurança e as necessidades individuais de cada paciente.

“Hoje temos diferentes possibilidades de cuidado, e a escolha depende das características de cada caso. O objetivo é controlar a inflamação e melhorar as manifestações na pele, além de prevenir e acompanhar as doenças associadas, identificadas em cerca de metade dos pacientes atendidos em centros universitários. Assim, conseguimos proporcionar mais qualidade de vida”, conclui Ricardo.

VEJA TAMBÉM:

retirada_de_barricadas_na_cdd
Senado Federal aprova projeto de lei que torna crime barricadas para cometer crimes
operacao_da_policia_civil_em_sao_paulo
Megaoperação investiga fraude fiscal no setor de combustíveis em 5 estados e Distrito Federal
Design sem nome (8)
VÍDEO: incêndio atinge ônibus e passageiros precisam descer às pressas em Garopaba (SC)
WhatsApp Image 2026-10-29 at 12.27
Sul de SC: Prefeitura e Expresso Garopaba se manifestam sobre incêndio em ônibus; confira
_pin5585
Acompanhe AO VIVO a apuração do segundo turno na PIXTV
P U B L I C I D A D E
P U B L I C I D A D E
P U B L I C I D A D E