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Em Porto Alegre, 1º Marketing Research Day reúne empresas como Fruki, Usaflex e Able

Evento inédito no Sul do país discutiu como dados, método e escuta qualificada podem apoiar decisões empresariais.
Fotos: Francine Ferreira

Redação PIXTV (Site)

27 de agosto de 2026

atualizado às 15:03

Em meio ao avanço das inteligências artificiais e ao excesso de dados disponíveis, empresas enfrentam um desafio cada vez mais relevante: transformar informação em decisões consistentes, sem depender apenas de intuição ou achismo. Foi nesse contexto que a Palco Inteligência de Negócios realizou, nesta quinta-feira (27), a primeira edição do Marketing Research Day. O primeiro evento com foco em pesquisa de mercado do Sul do Brasil aconteceu na Arena CPMC da Tecnopuc, em Porto Alegre, e reuniu profissionais da Fruki Bebidas, Usaflex, Able, Mais Que Isso e Share para discutir o papel da pesquisa em temas como posicionamento, produto, comunicação, jornada do cliente e estratégia.

A programação reuniu lideranças e especialistas em pesquisa, marketing, branding, relacionamento com clientes e inteligência de negócios em uma manhã de debates sobre como empresas podem usar dados, método e escuta qualificada para reduzir riscos, validar caminhos e qualificar decisões em um ambiente marcado pela velocidade da informação.

Para a sócia-fundadora da Palco e mestre em Administração, Juliana Saboia, o Marketing Research Day nasceu justamente da percepção de que a pesquisa de mercado ainda ocupa pouco espaço nos eventos empresariais, apesar de ser cada vez mais decisiva para organizações que precisam crescer, reposicionar marcas, lançar produtos ou compreender melhor seus públicos. “Fala-se muito de dados, mas pouco sobre como formular boas perguntas, validar hipóteses e transformar informação em decisão. O MRD nasce para quebrar essa bolha e mostrar que pesquisa não é um tema distante ou apenas técnico; é uma prática essencial para empresas que precisam decidir melhor”, afirmou.

Conforme a sócia-fundadora da Palco e doutora em Administração, Mariana da Rosa, a curadoria do evento foi pensada para acompanhar a lógica de uma pesquisa: da formulação das perguntas à escolha metodológica, passando pela aplicação prática em empresas e pela operacionalização da coleta de dados. “A Palco trouxe esse olhar estratégico sobre a construção da pesquisa, enquanto as empresas convidadas compartilharam como usam esses dados no dia a dia para apoiar decisões reais de marketing, branding, produto e relacionamento com clientes”, explicou.

Neste cenário, discutir rigor metodológico se torna ainda mais importante em um momento em que empresas têm acesso a muitos dados, mas nem sempre conseguem avaliar a origem, a qualidade e a representatividade dessas informações. “Uma pesquisa bem-feita pode mudar um direcionamento estratégico. Mas, para isso, é preciso entender o que é pesquisa e o que é uma pesquisa bem conduzida. É necessário saber qual população está sendo analisada, qual amostragem foi usada, como os dados foram coletados e se eles representam de fato o contexto que a empresa quer compreender”, destacou Mariana.

Resposta a decisões reais

A abertura do Marketing Research Day foi conduzida por Mariana da Rosa e Juliana Saboia, com a palestra “Menos Achismo, Mais Evidência: Como a pesquisa fortalece a tomada de decisão”. A conversa apresentou a pesquisa como uma ferramenta para organizar perguntas, validar hipóteses e separar percepções internas de evidências reais.

Na sequência, o painel “Da Evidência à Estratégia: Como empresas transformam pesquisa em decisões de mercado” reuniu Manuela Cardona, diretora de Marketing e Produto da Usaflex; Patrícia Rodrigues, coordenadora de Marketing da Fruki Bebidas; e Renata Coutinho, fundadora da Mais Que Isso. A mediação foi de Rafael Martins, CEO e cofundador do Share.

O debate abordou como a pesquisa pode apoiar movimentos de posicionamento, comunicação, expansão, lançamento de produtos e leitura de comportamento do consumidor. Segundo a diretora de Marketing e Produto da Usaflex, a relevância da pesquisa está justamente em sua capacidade de responder dores concretas de negócio. “A pesquisa é muito viva, porque responde a diferentes dores e diferentes momentos de uma empresa. Quando ela é tratada apenas de forma teórica, parece distante. Mas, quando mostramos sua aplicação prática, ela passa a ser entendida como suporte real para decisões importantes”, ressaltou.

A Usaflex, por exemplo, tem ampliado o investimento em pesquisa nos últimos anos, especialmente em projetos ligados ao reposicionamento de marca, desenvolvimento de produto e estruturação de personas. “Em uma marca desse porte, é fundamental acompanhar os impactos das mudanças. A pesquisa nos ajuda a entender de onde partimos, monitorar a evolução e avaliar se estamos no caminho certo. Mais importante do que escolher um método é saber qual pergunta se quer responder”, acrescentou Manuela.

Na era das IAs, o que realmente importa

A relação entre inteligência artificial, criatividade, cultura e pesquisa de mercado também esteve presente na programação. Para Martins, a IA ampliou a velocidade de produção de conteúdos, produtos e soluções, mas também tem tornado muitas entregas mais parecidas entre si. “Com a IA, muita gente passou a fazer muita coisa igual: produtos parecidos, serviços parecidos, identidades visuais parecidas. As ferramentas permitiram criar muito rápido, mas nem sempre com profundidade. A pesquisa entra justamente para preencher essa lacuna: entender quem são as pessoas, o que elas consomem, o que buscam e como querem se relacionar com as marcas”, acrescentou.

Na avaliação do CEO do Share, a inteligência artificial não substitui a pesquisa, mas pode apoiar etapas operacionais e liberar mais tempo para a escuta qualificada. “Ela pode apoiar processos repetitivos, organização de informações e etapas operacionais, mas nada substitui uma boa conversa com as pessoas para entender o que elas esperam de uma empresa, de uma comunicação ou de um produto. Para ser genuinamente útil, uma marca precisa conhecer as pessoas”, apontou.

A jornada do cliente como balizadora

O encerramento da programação contou com o painel “Dados que Movem Decisões: Como transformar dados da jornada do cliente em inteligência para o negócio”, conduzido por Sthefany Barbosa, sócia-diretora de Relacionamento da Able, e Taíse Bazílio, sócia-diretora de Operações da Able.
A conversa destacou como dados de atendimento, CRM, pesquisas de satisfação e plataformas digitais podem se tornar insumos estratégicos para melhorar a jornada do cliente, qualificar decisões e ampliar a capacidade analítica das empresas. Com isso, o evento também abriu espaço para discutir uma etapa muitas vezes vista como bastidor: a operacionalização da coleta de dados.

“Atuamos na operacionalização da coleta de dados de pesquisa e atendimento, uma etapa que muitas vezes aparece como bastidor. Mas é fundamental ter inteligência também nesse processo, porque a estratégia precisa estar presente desde o planejamento até a execução, para que os dados coletados sejam consistentes e possam gerar decisões melhores”, concluiu Sthefany.

Conhecimento produzido no Sul

Além de discutir pesquisa como ferramenta de decisão, o Marketing Research Day também teve como proposta valorizar a produção de conhecimento e a capacidade técnica das empresas do Sul do Brasil. A escolha dos palestrantes buscou reunir profissionais que vivem a pesquisa na prática, em diferentes contextos de mercado.

“Existe uma tendência de olhar sempre para São Paulo ou para fora do Brasil quando se fala em eventos e referências de mercado. Mas há muita gente boa e muita coisa relevante acontecendo aqui. A nossa intenção é fortalecer esse debate no Sul e fazer com que o mercado olhe para cá com mais atenção”, finalizou Juliana.

Sobre a Palco Inteligência de Negócios

A Palco Inteligência de Negócios é uma empresa sediada em Porto Alegre (RS) que atua com pesquisa de mercado, inteligência de negócios e estratégia aplicada. A empresa apoia organizações em decisões de crescimento, posicionamento, expansão e inovação, combinando método, análise de contexto e interpretação de dados para transformar informações em direcionamentos concretos.

Com atuação em pesquisa de mercado, assessoria em gestão estratégica e modelagem de negócios, a Palco trabalha com empresas e lideranças que precisam compreender melhor seus clientes, concorrentes, oportunidades e cenários antes de tomar decisões relevantes. Fundada a partir da experiência das sócias em docência, pesquisa e consultoria, a empresa defende decisões sustentadas por evidências e ajuda negócios a reduzir o peso do achismo em movimentos estratégicos.

Texto: Francine Ferreira

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