Um novo método de aplicação dos clássicos estelionatos tem sido adotado por criminosos nos últimos meses. Com os primeiros casos de maior repercussão registrados em meados de 2025, o crime que vem sendo chamado de “Golpe do Falso Plano de Saúde” foca em abordar as vítimas em um dos momentos mais delicados: quando um familiar está internado.

O contato dos estelionatários é direcionado aos familiares de pacientes, pessoas geralmente em situação de angústia, o que facilita a pressão por transferências financeiras, segundo a Polícia Civil gaúcha.
“Eles entram em contato com familiares de pacientes internados em hospitais, dizem que aquele paciente teve piora no quadro de saúde, que precisam fazer exames de urgência e, a partir aí, começam a pedir valores. Os estelionatários alegam que o procedimento não seria coberto pelo plano de saúde e pedem dinheiro para custear esse tratamento. E é aí que consiste o estelionato”, explica o Delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCPE/Dercc).
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul já investiga vários casos com esse modo de atuação. Por se tratar de uma apuração em curso, alguns detalhes não podem ser divulgados para não comprometer o trabalho policial. Ainda assim, o delegado esclarece que o golpe não envolve nenhuma tecnologia incomum: “É uma investigação padrão que estamos fazendo. Este golpe não tem nada fora do comum ou anormal. Apenas a forma de abordagem às vítimas que se diferencia de outros crimes”, complementa.
Como evitar o golpe
Assim como em outros golpes, a principal forma de prevenção é a checagem das informações recebidas. Hospitais e instituições de saúde do Rio Grande do Sul têm emitido alertas públicos para orientar pacientes e familiares.

Para o Delegado Herédia, ao receber um contato desse tipo, a pessoa deve desconfiar e buscar confirmação por meios oficiais. “Sabendo da existência desse golpe, se receber qualquer contato simulando ser de algum hospital ou clínica, que a pessoa desligue e, por iniciativa própria, busque entrar em contato com aquela instituição através de um número ou outra forma de contato de confiança, para se certificar da veracidade deste contato”, frisa.
Outra orientação é sempre desconfiar de pedidos de repasse financeiro por telefone ou mensagens. A recomendação é encerrar o contato e procurar diretamente a pessoa ou instituição citada.
Se o golpe se concretizar, a primeira ação deve ser o registro de um Boletim de Ocorrência, presencialmente ou pela Delegacia Online, com o máximo de informações e documentos. O registro é essencial para subsidiar a investigação policial.
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