O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou, na última segunda-feira (24), José Gustavo Rabelo, de 21 anos, pela morte da namorada, Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, em Sangão, no Sul de Santa Catarina. Ele vai responder por feminicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Segundo a denúncia do MP, o crime aconteceu na madrugada de 7 de agosto de 2026, depois que Joviana e o denunciado retornaram de uma confraternização estudantil em Criciúma. Os dois mantinham um relacionamento de poucos meses, marcado por términos e tentativas de reconciliação.
Conforme o inquérito policial, a jovem foi asfixiada depois
Conforme o MPSC, a jovem teria sido morta por asfixia após manifestar a intenção de encerrar o relacionamento. O homem teria atacado a vítima pelas costas e aplicado um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, o que, segundo a Promotoria, teria dificultado a defesa dela.
O Ministério Público sustenta que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar contra a jovem e foi motivado por menosprezo à condição feminina.
Ainda de acordo com a denúncia, Joviana tentou resistir à agressão. Laudos periciais teriam identificado lesões compatíveis com tentativas de afastar a pressão exercida sobre o pescoço, além de outros ferimentos provocados enquanto ela ainda estava viva.
Corpo foi escondido por três dias
Após a morte, o denunciado teria mantido o corpo da jovem escondido dentro da própria residência por três dias. O cadáver foi encontrado na manhã de 10 de agosto, durante diligências da Polícia Militar relacionadas ao desaparecimento da jovem, comunicado pela família.
Segundo o MPSC, o corpo estava enrolado em cobertores e escondido dentro de um quarto trancado.
Durante o período em que o corpo ficou oculto, o homem também teria tentado evitar que os familiares dela desconfiassem da morte. Conforme a denúncia, ele utilizou o celular de Joviana para enviar mensagens à mãe dela, simulando que a jovem estava bem e seguia normalmente a rotina.
‘Mais um feminicídio brutal’, diz promotora
Em manifestação divulgada pelo MP, a promotora de Justiça Raísa Carvalho Simões Rollin lamentou o crime e destacou que a morte ocorreu durante o Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
“Infelizmente mais um feminicídio brutal ocorrido em nossa região. Joviana era uma jovem com tantos sonhos, que naquela mesma semana ingressou na faculdade, um objetivo muito almejado, segundo a família, mas que foi assassinada pelo seu próprio namorado, que dizia amá-la. Mais um crime contra a mulher, em plena campanha do Agosto Lilás, mês voltado à conscientização da violência doméstica. Triste”, afirmou a promotora.
Pedido de julgamento pelo Tribunal do Júri
Na denúncia, o MP atribui ao acusado o crime de feminicídio qualificado, por razões da condição do sexo feminino, com emprego de asfixia e de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Ele também responde por ocultação de cadáver.
O Ministério Público pediu que o homem seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e solicitou a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil à família de Joviana pelos danos causados pelo crime.
O acusado está preso preventivamente. O MP informou que aguarda o recebimento da denúncia pela Justiça.
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