A morte de Oliver Golden Grayson, de apenas 3 anos, comoveu moradores de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O menino teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta-feira (8), quatro dias após ser internado em estado gravíssimo por causa das agressões sofridas dentro de casa.
Segundo a Polícia Civil, o principal suspeito é o próprio pai da criança, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 30 anos. Em depoimento, ele confessou as agressões e afirmou que atacou o filho porque o menino não respondeu ao seu “bom dia” da maneira que esperava.
De acordo com a investigação, o homem admitiu ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de bater a cabeça dela contra o chão. As lesões provocaram graves danos internos. Conforme informações médicas, o crânio do menino foi esmagado e o coração chegou a sofrer deslocamento em decorrência da violência.

Internação e doação de órgãos
Após as agressões, o próprio pai levou Oliver ao Hospital de Viamão. Devido à gravidade do quadro, a criança foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS), em Porto Alegre.
Na manhã desta quinta-feira (9), após autorização da família, foi realizada a captação dos órgãos para doação.
Pais foram presos
Dandre Grayson foi preso em flagrante ainda no hospital, no domingo (5). No dia seguinte, a Justiça converteu a prisão em preventiva. O caso, inicialmente investigado como tentativa de homicídio, passou a ser tratado como homicídio qualificado após a confirmação da morte cerebral.
Também nesta quinta-feira (9), a mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente por omissão. Segundo a Polícia Civil, ela estava em um cômodo ao lado durante as agressões e, conforme a investigação, não teria tomado qualquer atitude para impedir a violência.

Investigação aponta histórico de agressões
As investigações revelaram que a família vivia no Brasil havia cerca de nove anos e estava em Viamão há aproximadamente seis meses.
Conforme a Polícia Civil, já existiam registros de suspeitas de maus-tratos em outros estados. Em 2024, foi instaurado um inquérito em Águas de Lindóia (SP), mas o procedimento acabou arquivado no ano seguinte porque a família não foi localizada após se mudar. Já em Santa Catarina, houve acompanhamento por órgãos de proteção à infância a partir de 2025.
Em Viamão, Oliver também havia sido atendido anteriormente em uma unidade de saúde com hematomas e, meses depois, com um braço quebrado. Na ocasião, os pais informaram que o ferimento teria ocorrido após uma queda do sofá. O irmão mais velho, de 9 anos, também apresentava lesões, segundo a investigação.
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti, afirmou publicamente que “o Estado falhou”. Conforme o município, a família era acompanhada pelo Conselho Tutelar e pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) desde novembro de 2025, mas as medidas adotadas não impediram a tragédia.
Outros filhos foram acolhidos
O casal possui outros quatro filhos, com idades entre 1 e 9 anos. Todos foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar.
A Polícia Civil investiga se as demais crianças também foram vítimas de agressões. Há indícios de que os três filhos mais velhos sofreram episódios semelhantes de violência. O bebê de um ano também está sendo avaliado durante a investigação.
Caso reforça alerta sobre violência contra crianças
A morte de Oliver Grayson não é um caso isolado. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que, em 2024, o Brasil registrou 179 homicídios de bebês e crianças de até 4 anos, elevando a taxa de mortalidade para 1,4 caso por 100 mil habitantes — aumento de 7,7% em relação ao ano anterior.
O levantamento aponta ainda que, na última década, mais de 2 mil crianças dessa faixa etária foram assassinadas no país. Os dados também revelam que 67,3% dos episódios de violência acontecem dentro da própria residência e que, em quase 80% das notificações, o agressor é uma pessoa do convívio familiar, evidenciando que o ambiente doméstico continua sendo o principal cenário desse tipo de crime.
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